QUEM FOI CASSANDRA RIOS?

Atualizado: 16 de Ago de 2019

Cassandra Rios, pseudônimo de Odete Rios, pioneira em escrever ficções que tratavam de lesbianidade e sexualidade sob a perspectiva de uma lésbica, foi a artista mais perseguida pelos censores da ditadura civil-militar brasileira. Cassandra teve 36 obras censuradas. Um de seus livros, Eudemônia, chegou a ter 16 processos.


Foi condenada a um ano de prisão, vivenciou agressões, foi constantemente ofendida e perseguida. A ousadia de abordar a sexualidade das mulheres lésbicas nas suas obras assombrava a “moral e os bons costumes.” Mas o Estado e as camadas conservadoras não eram os únicos segmentos lesbofóbicos da sociedade naquele período: também os intelectuais de esquerda foram opositores de Cassandra, omitindo o seu nome do Manifesto contra a Censura, de 1977, além de não terem se mobilizado publicamente em sua defesa.


Com preços populares e acessíveis, os livros de Cassandra foram os primeiros de autoria de uma mulher a alcançarem o número de 1 milhão de exemplares vendidos. Entre os títulos estão o já citado Eudemônia, O prazer de pecar, Carne em delírio e Eu sou uma lésbica, entre dezenas de outros.


Cassandra faleceu no dia em que se comemora o dia internacional da mulher, no ano de 2002. Sempre estará presente nas nossas memórias e na nossa luta. Podem tentar apagá-la, mas lembraremos. Em tempos de censura renascente, é fundamental que falemos de quem resistiu. Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.


Fonte: Lésbicas e a ditadura militar, artigo escrito por Marisa Fernandes na coletânea Ditadura e homossexualidades (org: James N. Green e Renan Quinalha).



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