Conheça o "Banco de Dados sobre o Movimento Lésbico no Brasil Contemporâneo (agosto 2018-2019)"

Como você tem visto as organizações lésbicas do seu estado? Quais atividades promovem autoafirmação e interreconhecimento de nossos corpos, colocando-os juntos e estrategicamente visíveis? São essas organizações interlocutoras de críticas às identidades lésbicas brancas hegemônicas? Da saúde das mulheres que se relacionam sexualmente com outras mulheres? Dos feminismos negros e das relações históricas que indicam a urgência da condução interracial das organizações lesbianas? Quem são nossas artistas, compositoras, escritoras e pesquisadoras que compõem os repertórios dos bares de Brasília ou reúnem-se nos auditórios, nas praças, estações e viadutos do Amazonas ao Rio Grande do Sul, para celebrar o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica? Quais gerações estão presentes nesses espaços?


O Banco de Dados sobre o Movimento Lésbico no Brasil Contemporâneo (Agosto 2018-2019) é um projeto de pesquisa constituído a partir do mapeamento de eventos referentes às múltiplas temáticas lésbicas, que ocorreram por todo o Brasil, concentrados principalmente no mês de agosto dos anos de 2018 e 2019, quando se lembra a visibilidade lésbica. A coleta desses dados deu-se virtualmente, pela busca autônoma das organizadoras do projeto, e também por indicações feitas nas redes sociais do Lésbicas Que Pesquisam. A partir da sistematização dessas informações, temos como objetivo fomentar pesquisas futuras, que possam utilizar os dados para aprofundamento de reflexões sobre a organização do movimento lésbico no Brasil contemporâneo. Mais do que isso, buscamos identificar e visibilizar as ações coletivas de mulheres lésbicas, bem como aquecer os debates que despertam em contextos adversos às lesbianidades.


O projeto pensa as nossas mobilizações do presente como produções epistemológicas, como fontes para estudos e reflexões. Isso significa que traçar nossos itinerários do presente implica o reconhecimento de nossas ações como produtoras de sentido. Voltando o olhar ao digital, às informações que são produzidas e circuladas virtualmente, nos situamos no campo de efervescência da articulação de demandas pelo movimento lésbico.


Além da apresentação dos dados, o projeto integra análises de pesquisadoras e ativistas lésbicas, convidadas para a leitura prévia do Banco de Dados. A organização e coordenação do projeto são conduzidas pelas pesquisadoras Ana Beatriz Moreto do Vale*, Daniela Alvares Beskow** e Maria Eduarda Magro***, em parceria com o Lésbicas que Pesquisam.


Para saber mais informações dessa iniciativa inédita, continue acompanhando o site e as redes sociais do Lésbicas Que Pesquisam


Ana Beatriz Moreto do Vale* é carioca, residente no Espírito Santo. Bacharela e licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo, atua como professora de Sociologia para o ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede pública estadual capixaba.


Daniela** é carioca, mora no estado de São Paulo e sua família é do Rio Grande do Sul. Artista e escritora. Dentre os seus temas de pesquisa estão: violência, violência contra as mulheres, epistemologia feminista, movimentos feministas e movimentos de mulheres no Brasil, gestão anarquista, método, dramaturgia cênica e investigação do movimento. Bacharel em Ciências Políticas e licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas, bacharel em Comunicação das Artes do Corpo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e mestre em Artes Cênicas pela Universidade Paulista.


Maria Eduarda Magro*** é do Rio Grande do Sul. É historiadora e idealizadora e coordenadora de projetos do Lésbicas Que Pesquisam. Mestranda em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se dedica a projetos de divulgação científica e ao estudo da ditadura civil-militar brasileira, com ênfase no encarceramento político e na atuação de mulheres militantes de esquerda no enfrentamento ao regime.